quarta-feira, 25 de junho de 2014

A ESCOLA VAI ATÉ A SUA CASA, ALUNO.

           Ao invés de alguém da família – pai ou responsável – vir para a escola para saber dos avanços no processo de aprendizagem dos alunos ao final do primeiro trimestre letivo de 2014, foi a direção, professores e servidoras da  ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO MÉDIO HUGO OSCAR SPOHR que foram até as casas das famílias dos alunos e conversaram com os familiares presentes.
            Esta atividade, prevista dentro dos planos da escola, ocorreu durante os dias dos jogos da seleção brasileira durante a primeira fase da Copa do Mundo. A decisão de visitar as famílias dos alunos foi tomada a partir da constatação de que muitos professores e muitos pais não se conhecem mutuamente, e tendo por premissa de que conhecendo mais a realidades de vida doméstica e familiar dos educandos, como docentes, temos melhores parâmetros para interagir com os alunos, adequando as estratégias de intervenção no sentido de qualificar o processo, afirma a coordenadora pedagógica.
            Tanto o Conselho Escolar quanto o CPM da escola estavam informados desta programação especial e pais e alunos já aguardavam a visita. Os professores se organizaram em grupos, e a partir dos dados recolhidos sobre a procedência dos alunos em atividade especial de abertura do ano letivo (a qual comunidade eu pertenço), e de posse dos boletins e pareceres deslocaram-se para as diversas comunidades de origem de seus alunos.
            Muitos professores não conheciam a realidade de onde vinham os nossos alunos e tivemos uma recepção muito cordial por parte das famílias visitadas, não faltou uma cuia de chimarrão, mas o ponto principal que constatamos neste intercâmbio foi a satisfação dos familiares em nos receber, sentindo-se honrados com nossa visita e a constatação do interesse da escola em melhor conhecer as realidades individuais de seus alunos, diz o diretor Alfonso Dullius.
            A professora Ires Guaragni relata a alegria e a presteza dos familiares em acolher os visitantes, e a ansiedade por receber as informações dos professores sobre o rendimento de seus filhos, pois este contato direto entre pais e professores não é sempre oportunizado em vista dos trabalhos diversificados tanto de professores quanto dos pais.
Poder comentar com os pais dos alunos sobre o progresso ou as dificuldades de cada um, traz em si um grau acentuado de cumplicidade na superação ou aprimoramento do processo ensino aprendizagem. É gratificante conversar com pais e alunos juntos, em seu ambiente familiar, diz a professora.
            Ver a criança esperando a professora na área da casa, a expectativa familiar, o tempo reservado ou “tirado” para acolher os visitantes, alguns familiares meio sem jeito e atrapalhados na preocupação de bem receber, compensa qualquer esforço por parte dos professores que colocaram seus carros nas estradas barrentas, comenta a professora Roseli Muller, que atende turmas das séries iniciais. Uma aluna fez até cartazes de recepção de boas vindas, pais emocionados com nossa presença, dizendo que a professora faz a diferença na educação de seus filhos, acrescenta a professora Roseli.

            Um dos objetivos que motivaram a ida da escola para as residências de seus alunos também é resgatar o valor da escola e da educação, aproximar mais os pais da escola e unir forças em favor da educação integral, conforme preconiza a Lei de Diretrizes e Bases que estabelece que a Educação é dever da família e do Estado.






terça-feira, 10 de junho de 2014

Seminário Internacional promovido pela SEDUC

Michel Maffesoli faz conferência de abertura no Seminário Internacional da Seduc


Um dos principais teóricos da pós-modernidade no mundo, o sociólogo francês e professor da Universidade Paris V, Michel Maffesoli, fez a conferência principal nesta segunda-feira (2), noite de abertura do Seminário Internacional de Educação – O Conhecimento e as Juventudes do Século XXI, que a Secretaria Estadual da Educação realiza em Porto Alegre até quarta-feira (4). Com participação do jornalista Juremir Machado da Silva como debatedor e mediação da secretária-adjunta da Seduc, Maria Eulalia Nascimento, o sociólogo francês enfatizou a diferença entre educação vertical e iniciação horizontal, reiterando que a pós-modernidade, marca do momento atual, é o encontro do arcaico com a tecnologia de ponta.
Discordando de outros teóricos, que consideram característica da contemporaneidade o individualismo, Maffesoli descreve o tribalismo contemporâneo com ênfase na convivência, na cultura do sentimento, no laço social e nas vibrações em comum para descrever a atualidade. O teórico reitera, portanto, seu conceito das tribos urbanas, das quais os jovens fazem parte. “Estamos numa época de mutação, e a juventude é quem carrega esse processo”, declarou. A mudança consiste na passagem de um modelo vertical para um modelo horizontal, que tem como mola propulsora a revolução tecnológica. A educação da modernidade privilegia o cognitivo, com uma concepção esquizofrênica do mundo, em que o elemento essencial é o cognitivo e o individualismo.
Para Maffesoli, a educação moderna, que havia antes, não é baseada em iniciação, e há uma diferença entre educação e iniciação. “A educação vai, cada vez mais, dar lugar à iniciação. Isso quer dizer que não podemos impor verticalmente um saber, mas que se deve, mais uma vez, lembrando o papel do desenvolvimento tecnológico, reconhecer a horizontalidade do conhecimento”, explica. O sociólogo destaca que a educação que ainda é vista em universidades e instituições, funcionou bem durante a modernidade, ela é verticalizada, enquanto a iniciação é horizontalizada. “A iniciação tem uma ideia de acompanhamento e encontra um ponto de ajuda justamente na internet. É um paradoxo pós-moderno”, diz. “Na pós-modernidade se volta para a iniciação, mas com a utilização da internet. As instituições educacionais estão coladas a uma ideia de verticalização: eu sei algo que você não sabe e eu estou passando conhecimento para você. Na iniciação, há uma horizontalização, como na wikipédia. A internet mostra que é assim que as coisas vão funcionar na pós-modernidade, com a ideia de compartilhamento”, declara Maffesoli.
Sobre a crítica à sociedade individualista, Maffesoli é enfático, ao destacar o papel cada vez mais importante das tribos urbanas na vida social. “A característica essencial dessas tribos é, por um lado, se concentrar no papel dos sentidos e do sensível. Por outro lado, com base no que acabo de dizer, valorizam a  vinculação, a relação, o estar junto. Trinta anos depois de ter escrito “O Tempo das Tribos”, confirmo minha hipótese: parece-me que o “relacionamento”, o laço social, é elemento essencial da pós-modernidade. O desenvolvimento tecnológico, como evidenciado pelas redes sociais, tende a reforçar a importância de viver juntos, do vínculo”, disse à plateia lotada do Salão de Atos da UFRGS.
Para o francês, a tecnologia, a internet, as redes sociais consistem no que vai criar as novas maneiras de estar junto, ou seja, uma nova estrutura, horizontal, com horizontalidade do conhecimento e inteligência coletiva, o que se reflete no ambiente educacional. Nesse novo cenário, em vez de haver uma representação do mundo, há a apresentação do que ele é. Inverte-se a lógica da educação na verticalidade, na lei do pai, que repousa sobre o poder, pela lógica da iniciação, que coloca em jogo a autoridade. “Da figura do adulto sério, racional, produtor e reprodutor, emblemática da modernidade, passamos ao Dionísio, ao mito da eterna criança, na pós-modernidade”, resume.
Juremir Machado destacou que a educação pós-moderna é também uma educação pós-produção, em que o sujeito deve sentir-se indivíduo. “O papel do professor é libertador: ele tem o desafio de abrir a possibilidade de cada aluno entrar em contato com o imaginário, com o a capacidade da transfiguração”, resumiu o também professor.