quarta-feira, 7 de maio de 2014

Perspectivas atuais da Educação segundo Gadotti

E o que o Pacto pelo Fortalecimento do Ensino Médio tem a ver com isto?

     Moacir Gadotti escreveu um artigo entitulado PERSPECTIVAS ATUAIS DA EDUCAÇÃO, publicado em 2000, e cujas abordagens continuam atualíssimas. As ideias e conceitos aplicam-se perfeitamente a nossa realidade atual em termos de teoria e prática da educação, e os aspectos que se mantém e transcendem o tempo e a tipologia educacional no percurso histórico apontados pelo autor poderão persistir na perspectiva de futuro da educação.
     Com o advento do Pacto Pelo Fortalecimento do Ensino Médio, que está em curso na formação continuada dos docentes em toda a rede estadual de ensino, este artigo me retorna às mãos e serve como luva nos estudos e revisões conceituais que integram a circunscrição de nossas oficinas pedagógicas.
     Questões como para onde vamos, quais os papeis da educação nos contextos de realidade em constante ebulição, saturamento de informação, superação de paradigmas, preservação da esperança nos remetem em busca de caminhos e alternativas viáveis para a construção qualitativa da aprendizagem de nossos alunos.
    O tradicional conceito de "aprender fazendo" continua valendo, porém o enfoque de educação como processo de desenvolvimento individual mudou para o social, o político e o ideológico, segundo Gadotti. A ideia de que não há uma idade para se educar e que a educação não é neutra e se prolonga por toda vida também é universalmente aceita.
     A cultura digital também chegou para ficar e é motivo de embate com a cultura tradicional do papel que ainda mantém seu espaço no fazer pedagógico de nossas escolas em detrimento do uso intensivo da Internet. Mudar os métodos de ensino e aprendizagem, desenvolvendo mais a capacidade de pensar criticamente em detrimento da memorização, já que a disponibilidade de informações é farta e disto se encarregam os meios eletrônicos, além dos tradicionais. 
     Outra concepção bem marcada nos estudos do Pacto é a visão, ou melhor, a opção pelo desenvolvimento integral do aluno, compatibilizando esta posição com o paradigma holonômico apresentado pelo autor, o qual direciona para a complexidade da vida: a totalidade do sujeito com a valorização de sua iniciativa e criatividade, suas contradições, inventividade e possibilidades. Isto reporta às teorias quânticas, em emergência no mundo científico. Na área da educação chamam isto de pedagogia da unidade.
     O binômio ação/reflexão/ação, fecundo na educação popular, também se mantém presente em nossos estudos e embasa a organização político pedagógica da escola, pois se estrutura a partir de um tema gerador e pretende alcançar a transformação social. Utiliza a noção de aprender a partir do conhecimento do aluno, a identificação de problemas a serem solucionados, a participação social ativa, crítica e consciente como protagonista da sua história. Isto se faz visível nos Projetos de Pesquisa que os alunos desenvolvem. Este aspecto de transformação social deve prevalecer na projeção de futuro da educação em lugar de transmissão cultural, segundo o autor.
     Estamos na era da informação e nossas escolas estão equipadas com laboratórios de informática, lousas digitais, DVDs, Datashows, notebooks, entre outros. No entanto, a maioria dos docentes ainda trabalha como antigamente com giz, quadro verde, livro didático, essencialmente. Ainda não incorporaram as nova tecnologias (imagens, sons, vídeos) e lidam com alunos desinteressados, desmotivados. Incorporar estes novos recursos e espaços do conhecimento, tão ao gosto dos estudantes, constitui o maior desafio do momento para os educadores. Estas tecnologias aliadas com o tráfego da Internet diluem as distâncias, trazem a informação ao toque se nossos dedos, alteram os tempos de estudar. Requerem inovação metodológica. O autor cita o acesso à informação como o primeiro direito de todos os direito,s sem o qual não se acessa os demais direitos. Diz que "o tempo de aprender é hoje e sempre" e "o espaço da aprendizagem é aqui - em qualquer lugar". 
     Então, que direito temos de impedir nossos alunos de utilizar as tecnologias em suas aprendizagens? A serviço de quem está a escola?
     Diante deste novo panorama tecnológico, qual será o papel da escola na sociedade informacional? No futuro ainda precisaremos de Certificações e Diplomas? Segundo o autor, caberá à escola a função de norteadora no mar de informações. Deverá promover uma formação integral, selecionando informações que ensejam o crescimento e não o embrutecimento, ensine a pensar, pesquisar, desenvolver o pensamento lógico, fazer sínteses e abstrações, organizar-se, disciplinar-se, ser independentes e autônomos, articular o conhecimento com a prática. E sem perder de vista a alegria.
     Cabe desde já ao educador a tarefa de mediador na construção do conhecimento do estudante, sujeito da sua própria formação, dando sentido ao que faz e buscando novos rumos e sentidos. As prerrogativas que atribuímos aos estudantes também se aplicam ao educador como eterno aprendiz na relação com o outro e com o mundo. Como educadores precisamos ter flexibilidade e prazer no esforço comum. Apesar de nossa especialidade navegar entre todas as áreas do conhecimento e trabalhar em equipe.
     Além dos aspectos aqui abordados, na análise com o artigo de Moacir Gadotti, a formação do Pacto ainda aborda outras questões pedagógicas como a gestão democrática, a avaliação emancipadora, áreas do conhecimento e politecnia, histórico da educação, planejamento.
     E tendo em vista a qualificação da educação como um todo, e com vistas a adequação da escola aos novos tempos, a formação do Pacto pelo Fortalecimento do Ensino Médio em andamento tem grande valor e vem sendo bem aceita pelos professores que dela participam.
Professora Wanda Battisti - Coordenadora Pedagógica.

Canudos do Vale, 06 de maio de 2014.



     Fonte: http://www.scielo.br/pdf/spp/v14n2/9782.pdf
  1. Moacir Gadotti é professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo desde 1991 e o atual diretor do Instituto Paulo Freire em São Paulo. Wikipédia