Apreciação do ENCONTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO
A REESTRUTURAÇÃO CURRICULAR E OS DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO
DA IDENTIDADE DAS ESCOLAS DO CAMPO
Dias 29 e 30 de outubro de 2013
De acordo com a fala do Professor Dr. Antonio Munarim, da UFSC, que nos aconselhou a ler o documento “Pacto para o Desenvolvimento da Educação do Campo” (facilmente encontrado através do site de busca do Google), as escolas tidas como escolas do campo são favorecidas pela legislação, podendo adequar o seu currículo e estrutura às peculiaridades da região que integra.
Citou a Resolução CEB/CNE nº2, de 28 de abril de 2008 e a LDB9394/96 para apoiar a sua fala.
Da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (Lei 9.394/96):
Art. 28 - Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente:
I – conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades dos alunos da zona rural;
II – organização escolar própria, incluindo a adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas;
III – adequação à natureza do trabalho rural.
Do Plano Nacional de Educação (Lei 10.172, de 2001):
25. Prever formas mais flexíveis de organização escolar para a zona rural, bem como a adequada formação profissional dos professores, considerando a especificidade dos alunos e as exigências do meio.
Ainda elencou outros documentos que preconizam e amparam a diversidade da educação para as escolas do meio rural e apontou para a previsão de uma organização estrutural não por série/ano, mas direcionada para a forma de ciclos. Isto não é dito claramente, mas subentende-se por este excerto do Pacto mencionado: “...no cumprimento da Resolução CNE/CEB nº 2, de 28 de abril de 2008, estabelecerão novas formas de organização escolar, com vistas à superação dos paradigmas da seriação, da homogeneização da cultura, da fragmentação do conhecimento por disciplinas, do transporte escolar e nucleação”.
Outro aspecto que ficou patente nas declarações que ouvimos por palestrantes e mediadores é preocupação das lideranças políticas em manter o homem do campo no campo e não inchar ainda mais as periferias das cidades.
Houveram várias contradições nas falas entre um e outro palestrante. Segundo o Professor Antonio, Getúlio Vargas, em seu governo, pretendeu nas escolas do interior preparar mão-de-obra para os centros urbanos (considerava os moradores das zonas rurais povos atrasados em favor da urbanização). Depois, Escola do campo no contraponto à escola rural. Outro palestrante falou que as agroindústrias são essencialmente de monoculturas, portanto, adversas às questões de preservação ambiental.
A professora Ester Soares falou sobre a reestruturação curricular para as escolas do campo no RS e explanou sobre os Ciclos de Formação, tendo como foco a reorganização do tempo escolar, uma vez que a atual organização escolar prioriza o tempo institucional. Falava em qualificar o espaço e o tempo escolar. Afirmou que os ciclos de formação se organizam em torno da formação humana e não só da aprendizagem, que combate a fragmentação. Disse preocupar-se com a constituição do sujeito e respeito às fases do desenvolvimento biológico.
O professor José Clóvis conclamou-nos a superar a concepção tradicional de conhecimento: lista de conteúdos não é conhecimento. Conteúdo é informação (é velho); conhecimento é construção nova, é o uso/aplicação da informação que já existe para obter uma nova construção do conhecimento, que é pessoal. A informação é genérica, o conhecimento é pessoal, traduzido pela aplicação que faço desta informação na minha realidade, na superação de dificuldades reais. Isto é conhecimento, quando aplico a informação para gerar novas informações, que servem para alavancar novos conhecimentos, pelos processos cognitivos. Propõe tratar o conhecimento de forma nova, investigativa, protagônica.
A professora Criseida de Lima disse que cada experiência é única, que é na prática que a educação se efetiva. O foco é o aluno, o que ele faz com a informação que recebe: isto é formação humana. Nos ciclos de formação um aluno conclui o Ensino Fundamental em 9 anos. Ela questionou-nos da seguinte forma: quando olhamos para um aluno, o que vemos? Fazemos uma “autópsia” ou uma “biópsia”? A avaliação de autópsia é uma avaliação de controle. A avaliação de biópsia busca emancipar. Disse também que professor que não gosta de planejar em conjunto é o que tem maior resistência em mudar. Planejar em conjunto não é fácil, precisa-se sair da ‘caixinha’. Planejar juntos por complexos temáticos, abordando problemas/desafios que devem ser superados pela escola, a professora se referia aos ciclos de formação, em que o planejamento deverá obrigatoriamente ser feito em conjunto. Será constituído um professor articulador para intervir/atender individualmente ou no coletivo (grupo); uma sala de superação; um centro de formação continuada na escola mais assessoria pedagógica.
A Dra. Maria Beatriz Titton disse que a escola é uma invenção, portanto, pode ser reinventada. Podemos reinventar a nossa. Lembrou Madalena Freire: o professor pode ser um “bombeiro pedagógico” ou um “militante pedagógico”. Cada um escolhe. O planejamento pedagógico se faz a partir de uma ideia, que gera uma ação, que avaliada suscita inovação. Falou de Aula Laboratório, Escola Experimental, Pesquisa como princípio pedagógico, e concluiu que os ciclos de formação visam “qualificar a educação, respeitando o tempo e o saber do estudante.”
Na minha opinião os ciclos virão mais cedo ou mais tarde. Para nós, ainda não agora. A retórica é boa. Meu “sino” toca com tanta apologia em torno da escola do campo. Vou aguardar. Sempre posso fazer o melhor diante das circunstâncias em que me encontro. E vou dar meu melhor!
Canudos do Vale, 02 de novembro de 2013.
Wanda Battisti - SSE.
A utilização das mídias tem este grande alcance e virtude.
ResponderExcluirElimina distâncias e restrições de tempo e nos conecta em tempo real (ou quase).